Não é que toda receita que seleciono pra postar aqui sempre tem uma história!?
Esta tem e é bem antiga.
Meu cunhado, João Weidg, o luxemburguês mais brasileiro que conheci, trabalhava na Belgo Mineira e, na época de Natal ganhava cestas incríveis.
Em muitas delas vinha uma lata de um doce de figo que eu nunca tinha visto.
O doce de figo que degustei a vida inteira eram os divinos doces de figo da D. Maria Helena, minha querida mãe.
Em toda casa que ela morava, a primeira coisa que fazia era plantar um pé de figo.
E ela tinha uma mão muito boa para esta árvore.
Em novembro, quando os figos começavam a crescer, a gente tinha doce de figo em calda, doce de figo seco (os meus, ela separava, sempre com muito açúcar) e até figos glaçados com chocolate para o deleite do Marcelo, o neto mais velho.
Meu cunhado, João Weidg, o luxemburguês mais brasileiro que conheci, trabalhava na Belgo Mineira e, na época de Natal ganhava cestas incríveis.
Em muitas delas vinha uma lata de um doce de figo que eu nunca tinha visto.
O doce de figo que degustei a vida inteira eram os divinos doces de figo da D. Maria Helena, minha querida mãe.
Em toda casa que ela morava, a primeira coisa que fazia era plantar um pé de figo.
E ela tinha uma mão muito boa para esta árvore.
Em novembro, quando os figos começavam a crescer, a gente tinha doce de figo em calda, doce de figo seco (os meus, ela separava, sempre com muito açúcar) e até figos glaçados com chocolate para o deleite do Marcelo, o neto mais velho.
Mas quando conheci o doce de figo em lata, da Cica, chamado de figo Ramy, foi paixão à primeira vista.
Os figos pareciam uma ameixa preta, envoltos numa calda escura e grossa de açúcar queimado.
Este doce deixou marcas por onde passou...
Achei uma história maravilhosa sobre ele publicada no jornal JundiAqui, em 26 de julho de 2017.
O jornalista Vivaldo José Breternitz escreveu uma bela reportagem "A Cica e os Figos Ramy – Doces Lembranças", recheada de histórias e recordações. Vale a pena uma leitura é só clicar aqui.
Segundo a matéria, em 1986 a Cica parou de produzir o figo Ramy. Outras empresas até que tentaram.
Eu também tentei experimentar o figo ramy de outras marcas, mas não achei nada igual ao da Cica. O jeito foi fazer eu mesma. E parece que consegui, por isso, compartilho com vocês.
Antes de postar esta receita pesquisei o que havia na internet. Achei várias receitas, mas nenhuma como esta aqui.
Nas receitas que encontrei mandavam colocar os figos sobre uma camada de açúcar e depois regar com café e cachaça. Na minha, basta uma calda queimada feita com açúcar e água, como a que a gente faz para pudins.
O tempo e o processo de cozimento são parecidos com o que eu faço. É fácil, mas trabalhoso.
A panela precisa ficar sobre o fogão por pelo menos dois dias! E você precisa ficar atenta ao ligar e principalmente a desligar a chama depois de pequenos intervalos de fervura.
Mas confesso que vale a pena todo este trabalho.
Antes de tudo aproveite a safra e escolha os figos menores e os menos maduros que você achar. Se não encontrar use os bem maduros, mas manuseie com cuidado. E nunca use uma colher para mexer o doce. O máximo que você pode fazer é sacudir e virar delicadamente a panela, para espalhar melhor a calda.
O tempo e o processo de cozimento são parecidos com o que eu faço. É fácil, mas trabalhoso.
A panela precisa ficar sobre o fogão por pelo menos dois dias! E você precisa ficar atenta ao ligar e principalmente a desligar a chama depois de pequenos intervalos de fervura.
Mas confesso que vale a pena todo este trabalho.
Antes de tudo aproveite a safra e escolha os figos menores e os menos maduros que você achar. Se não encontrar use os bem maduros, mas manuseie com cuidado. E nunca use uma colher para mexer o doce. O máximo que você pode fazer é sacudir e virar delicadamente a panela, para espalhar melhor a calda.
A receita
Ingredientes:
- 32 figos (geralmente as caixinhas vendidas nos mercados vem com 8 figos cada)
- 800 g de açúcar cristal ou demerara
- 500 ml de água

Pra quem não conhece, aqui está o açúcar demerara (ou damerara)
Preparo:
- Lave os figos com uma escovinha debaixo de água corrente. Alguns figos são vendidos envoltos em um pozinho branco/azulado. Aquilo é a calda bordalesa, uma mistura de sulfato de cobre e cal, que deixa a planta com um tom mais esbranquiçado. Ela é usada porque aumenta a durabilidade do figo e combate a ferrugem. Atualmente encontramos com mais facilidade os figos já sem sulfato. Mas não deixe de lavar estes também.
- Encha uma bacia com água e corte os cabinhos do figo. Na receita original da Cica eles vinham com os cabinhos. Que ficavam um pouco duros e eram descartados. Aqui em casa optou-se por cortá-los e assim, comer todo o doce.
- Na hora que você cortar o figo vai sair um leite, por isso coloque-os nesta bacia com água.
- Depois de todos os cabinhos cortados e deixados na água, vá pegando um por um dos figos e, com uma faca afiada retire um pouco em volta do olhinho da fruta. Isso porque neste buraquinho é que pousam as moscas... Aí fica mais higiênico.
- Agora, com a mesma faca afiada faça um pequeno corte. Isso ajuda a calda entrar melhor dentro da fruta e neste momento você também pode examinar para ver se o miolo está perfeito. Se aparecer algum estragado você descarta.
- Chegou então o momento de fazer a calda. Coloque o açúcar numa panela. Se tiver uma de fundo grosso, é melhor. Ligue a chama e espere o açúcar derreter. É como fazer uma calda caramelada para o pudim.
- Mexa algumas vezes (só neste momento você pode usar uma colher, de preferência uma colher de pau) espere o açúcar queimar, mas não deixe queimar demais. Quando estiver marrom, desligue a chama e espere alguns minutos antes de colocar a água, fria mesmo. É que como o açúcar está superaquecido, costuma levantar um vapor muito forte e você pode se queimar.
- Aí é só tampar a panela e deixar ferver até derreter todo o açúcar.
- Coloque sobre a calda os figos escorridos e cozinhe por cerca de uma hora em fogo bem baixo, com a panela tampada. Desligue a chama e mantenha o figo descansando, em temperatura ambiente. Mas cuidado com as formigas. Elas ficam assanhadas com este doce.
- No dia seguinte, coloque a panela no fogo fraco. Agora mantenha destampada e deixe cozinhar por cerca de cinco minutos, depois que começar a ferver.
- Faça isso mais algumas vezes durante o dia, de preferência quando estiver na cozinha para não esquecer o fogo ligado. Cinco minutos por vez, são suficientes.
Você vai notar que os figos vão adquirindo uma aparência de ameixa preta e a calda vai engrossando. - Daí é só tirar da panela, um a um, com cuidado, colocando de preferência num recipiente raso, um ao lado do outro.
- Despeje a calda que sobrou (geralmente é pouca calda mesmo, pois é muito forte) tampe e deixe na geladeira.
- Aqui, comemos com chantilly (creme de leite fresco) batido na hora. Mas já ouvi gente dizendo que fica ótimo com requeijão, fatias de laranja, como eram degustados pelo pintor Di Cavalcanti, segundo jornalista Vivaldo José Breternitz, em sua reportagem no JundiAqui. Ainda tem gente que come com sorvete de creme e até suspiro.










Beroca, esta receita divina e cheia de história é só você mesmo para nos presentear. Parabéns e obrigada minha irmã!!!!🤩😍
ResponderExcluirFeliz em poder te proporcionar bons momentos!!!
ExcluirQue histórias Bere! E se. complementam lindamente. Adorei. Eu também me lembro da lata de figo Ramy. Sempre gostei desse doce, mas ficou só na lembrança, pois não encontramos mais. Benvinda a sua receita que sugere suprir essa ausência. Vou pensar no caso. Parabéns pelo seu texto. Delicioso, assim como o figo Ramy.
ResponderExcluirRoseli, seus comentários me alegram e me enchem de orgulho. Espero que, depois de suas caminhadas, encontre tempo e ânimo de prepará-lo.
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